Por
um instante a vida pareceu me oferecer o que eu sempre sonhei, depois
o que eu sempre quis, só para me fazer acreditar que talvez eu
queira aquilo que não deveria querer. O errado, o difícil, o
oposto.
Mesmo
assim nenhuma parece ser a escolha certa, tão incompatível,
desnecessário e irritante.
No
fim não importa, por que eu sei, sei o que vai acontecer, e por mais
que lute, serei lançada ao início, onde tudo é igual, a única
coisa que vai mudar são a quantidade de coisas que ele fez pra me
magoar.
Quando
eu voltar, não terá passado de um sonho, uma chance que eu nunca
tive de verdade, alguém que simplesmente não apareceu. Quando
estiver lá, voltaremos a ser os mesmos, não haverá nós, o momento
em que afasta delicadamente o cabelo do meu rosto não voltará a
acontecer, e estarei parada com um copo na mão apenas observando
tudo ser como é. Então quando o tempo passar e eu o ver novamente,
bom, eu o verei, e serei atingida de imediato por tristeza e
incompreensão. E tudo isso acontecerá porque não há nada, nada
para mim. Estou cansada, e me recusarei a tentar um resultado
diferente, só para me ver depois de um tempo segurando as rachaduras
com as pontas dos dedos.
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