22 de abril de 2020




Eu o observei lentamente partir, sabendo de cada duvida que criei em sua mente, de cada conflito e confusão que causei dentro de ti. Mesmo consciente, não saberia dizer quem sofreu mais, seja como for, eu apenas fiquei lá, parada, no lugar onde um dia me deu a mão. Quando me desvencilhei dos seus dedos soube que tudo sobre você partiria. Quando o dia se tornou noite, minhas lágrimas viajaram quilômetros sem fim, sua voz deflagrava sentimentos destonantes, enquanto seus movimentos inflamavam o pior que há em mim, irrompendo amálgama de dor, diligência e afeto. Indo e vindo, rompantes do que por frações de segundos teria sido, por fim, resumido por palavras vulgares. Mais do que esconder qualquer fragilidade, qualquer sentimento, procurei desesperadamente pela minha dignidade, o que fez com que eu sobrevivesse o suficiente para conter, controlar, sentir a raiva multar, se tornar decepção, desgosto, desdém. Eu poderia ter sido salva, sair intacta, mas não, o que vi despertou um sentimento raro em mim. Eu te eximi de qualquer culpa, te livrei de qualquer mal entendido, mas não, você tinha que ser assim tão vil e desdenhoso, tão verdadeiramente pobre de espírito. Voltei ao início apenas para ver quem realmente é, e sentir asco.

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