Eu o observei lentamente partir, sabendo de cada duvida que criei em
sua mente, de cada conflito e confusão que causei dentro de ti.
Mesmo consciente, não saberia dizer quem sofreu mais, seja como for,
eu apenas fiquei lá, parada, no lugar onde um dia me deu a mão.
Quando me desvencilhei dos seus dedos soube que tudo sobre você
partiria. Quando o dia se tornou noite, minhas lágrimas viajaram
quilômetros sem fim, sua voz deflagrava sentimentos destonantes,
enquanto seus movimentos inflamavam o pior que há em mim, irrompendo
amálgama de dor, diligência e afeto. Indo e vindo, rompantes do que
por frações de segundos teria sido, por fim, resumido por palavras
vulgares. Mais do que esconder qualquer fragilidade, qualquer
sentimento, procurei desesperadamente pela minha dignidade, o que fez
com que eu sobrevivesse o suficiente para conter, controlar, sentir a
raiva multar, se tornar decepção, desgosto, desdém. Eu poderia ter
sido salva, sair intacta, mas não, o que vi despertou um sentimento
raro em mim. Eu te eximi de qualquer culpa, te livrei de qualquer mal
entendido, mas não, você tinha que ser assim tão vil e desdenhoso,
tão verdadeiramente pobre de espírito. Voltei ao início apenas para
ver quem realmente é, e sentir asco.
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