1 de maio de 2020


Por vezes esqueço-me das complicações quê impomos em nossos caminhos. Dos objetivos a serem alcançados, do que nos cobramos em ser, daquilo que invariavelmente nos afasta. Do turbilhão de emoções dissonantes, das dúvidas.

Isso porque sinto-me tomada de um sentimento tenaz. Implícito na distância e tangível em seu olhar.    
É o que tem me conduzido indubitavelmente ao caos que antevejo, sem que consiga ao menos me atentar a nocividade. 
Quisera que a mim fosse explicado que não há, se não sua existência, outro motivo que justifique esse sentimento. Que fosse capaz de me recordar com clareza, do quão perigoso vem a ser essa sensação, que muitas vezes precede o sofrimento.
No entanto parece tão simples seguir a diante. Como se segura-se minhas mãos, e caminhasse para trás, mantendo seu olhar fixo ao meu. Seus olhos me transmitem calma, mas a verdade é que não vê para onde segue. Eu deveria olhar ao redor, assim como definitivamente, tê-lo, não deveria soar tão certo.

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