1 de setembro de 2010


O gosto da perde é algo que gela e surpreende. Sempre que me deparo com a morte, como se fosse possível, tenho a sensação que ela leva os fortes ao seu redor, justamente as pessoas que estão gravados em mim de uma forma marcante, tornando a partida inacreditável.
É vida deixando a esperança e a fragilidade, da qual é originada. Como se não houvesse amanha, em um tempo que é indeterminado. Destino, não sei, não acho possível sendo a morte irreversível quase sempre injusta.
Agora a imagem de seu ser me parece tão longe, minhas lembranças rabiscadas pela pouca convivência. A morte marca, fere os mais fortes, levando todo significado de uma vida bela aos que ficam, é quase impossível conviver com a perda de alguém tão real, alguém que sorriu e olhou em minha direção.
Para onde foi sua presença, será que ainda vela por nós que ficamos, será que esta longe, ou será que sente a dor, que foi só o que restou de sua perda. Não me lembro de sua voz, nem de como era seu rosto, mas vejo a expressão de desespero nos que estiveram próximos de ti. Simples, acabou. Injusto um homem bom e incrivelmente inteligente, como todos seus conceitos de vida, levado sem que todos tivesse a oportunidade de conhecer sua vasta capacidade, assim como eu que não conheci. Eu o vi eu estive por perto, quando ainda não compreendia direito sua importância, o triste é não ter mais essa chance.
O último segundo de sua existência que lhe trouxe toda a esperança de continuar, o medo que surge de seu extinto de preservação lhe tomando, e tudo mais em sua consciência, as pessoas que você amava sendo deixadas para trás, não por escolha mas sim pela surpresa do incerto, pela surpresa constante que é existir. E de todo o sofrimento das pessoas mais próximas a ti, a única opção é continuar, mesmo que não saibam ao certo como, o mundo não para, e independente da perda, tudo sempre continuara de alguma forma ou de outra.

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