No momento em que se deslocou de onde estava, a caminho de casa, cada passo que ela dava adentrava mais em sua mente em seu mundo imaginário, o lugar onde ela criava laços com a insanidade. Era sua fuga, sua maneira de enfrentar o medo que não pode vencer. O ambiente ao redor ainda a faziam lembrar da triste história, e ela prosseguia no caminho da fantasia.
Ela se dedicara de mais, e fora julgada como bruxa, sentenciada ao abandono, o amor lhe seria negado, as palavras lhe dirigidas seriam falsas. Ela poderia lutar mas o veredicto já fora dado.
Houve momentos em ela tentou ser ouvida, ela se lamentou e foi sincera. Deu tudo de si, ela se fez presente, ouviu displicências, injúrias e permaneceu ali.Porém ela desistiu, ela se levantou e seguiu seu caminho dentre as trevas. Pois no exato instante em que a chuva tocar o chão, tudo estará bem, ela sabia, tudo ficaria bem. Não se prenderia mais a promessas, vinha alimentando apatia por palavras, palavras vazias. Seria forte, a ponto de não se importar quando ignorassem seus sentimentos, de não sofrer com a decepção que lhe causavam. Porque independente do que tinha acontecido ela estivera lá, uma protetora, resguardando sentimentos, acumulando emoções.
Mas era o fim, não voltaria para ver sua sentença de morte, ela enfrentava o fato de não saber amar, compreendia sua deficiência em perdoar e esquecer, então nada bastaria, não há desculpas que bastem nada que possa refazer o que foi perdido.
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