9 de dezembro de 2010


Sinto o cheiro acentuado de plantas
Trazido pelo vento quente dessa época do ano
Há meses que ao cair da noite esse odor me persegue
No fim de ano vem a desarmonia
Vem o pensamento de que nada foi como esperado

Mais do que planos inacabados
Esta no cheiro,nas luzes,
Na normalidade que me afronta
Então os dias passam para que eu chegue
Na data comemorativa em que meu desapego foi concebido
No dia em que meus sonhos morreram junto de uma satisfação fingida
Usando uma roupa recém comprada,com um sorriso forçado
Em meio a um caos mudo,recolhendo do chão
Pequenas esperanças de conforto

É para onde isso que tudo caminha,
Para os momentos que reunimos e agradecemos á pessoas
Que na verdade nunca estão presentes
É quando vemos o que nos difere de crianças
Que desfrutam de uma grande encenação de bondade,
Mas da onde estamos a realidade é mais dura,a união é desleal
As pessoas são falsas, culpa de uma amistosidade forçada

Isso se aproxima de mim com o termino de cada ano
Essa nossão de casualidade,e tão desesperadora quando todo o clima em si
É melancólico poder sentir tudo isso no ar que respiro
Que não haja lugar em que isso não me atinja

Poderia ter sido diferente,quem sabe se eu não tivesse notado
Se não tivesse tentado juntar os pedaços
Desejaria ter tido escolha,ter ignorado,
Queria não ter crescido para verem as coisas se tornarem tão ruins,
Gostaria de não ter o olhado nos olhos e sentido sua dor.
E por mais singelo que pareça gostaria de não reconhecer esses cheiro,
O cheiro que tem a desilusão.

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