
Estou pagando suas preces no inferno, estou engolindo asperamente todas as palavras que proferi, elas estão descendo amargamente pela minha garganta, fazendo-me sentir enjoada pelo desgaste de estar sendo vencida.
Lentamente me volta a sensação de vazio, o desgosto de ter feito tudo que fiz, mas afinal sem estima, pois nunca lhes dei algo traiçoeiro não é mesmo?! Nenhuma maldade frívola, a que pudessem se apegar.
Absolvi-me de minhas falhas, sentindo a piedade se esvair, enquanto sorvo mais um gole de ódio concentrado, o rancor se prolifera, trazendo lágrimas amargas ao meu rosto, dei algo maior que a mim, e é sempre a razão da lacuna em meu âmago. Depois de tanto tempo, descobri o motivo, para nunca deixar se senti-lo.
Sempre me rogando desculpas, desculpas estas que tendem a perdoar a tudo, só que não relevam seus erros. Meu coração bate, pulsando para todo meu corpo essa droga de sentimento que impeliram no meu organismo. O vento sopra através da minha pele, me arrepiando uma última vez, a um som melancólico e lamurioso. Cometi um engano, mas não lhes darei o prazer de que vejam meu infortúnio, estarei aqui como por ventura, porém jamais retomaram minha afeição. Em meu coração uma verdade aflita se debate, sucumbindo ao ser dilacerada, pois nutrem apreço a falsidade, a embalam com estima. Um único motivo me cabia, porém se é o que desejam, fizeram uma escolha e deixarei que queimem em consequência dela. Arrancado tudo de mim, cavo esta cova em que sepultarei cada ilusão que me ofereceram, e é onde jaz, nesse claustro, corpos consumidos pelos pecados de uma santa em abnegação.
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