Olho pra você e posso ouvir claramente seus pensamentos, sinto o que te incomoda como se fizesse parte de mim, mas e você, consegue sentir a corrente de liberdade que atravessa meu corpo, emanando força de mim? A torrente que verte de mim te corroí, mesmo que eu tente impedir, mesmo que eu não esteja lá para ver.
Você irrefletidamente abriu a porta, me expôs as suas inseguranças, me fez ficar e observar suas fraquezas, agora isto esta fugindo do controle, mas não posso simplesmente sentar esperando que isso me contamine. Está nos envenenando aos poucos, então eu recuo, dou um passo para trás, mas você continua sem entender, procura respostas em sua mente, mas elas não são capazes de te convencer, nada do que eu tenha a dizer nos salvará, estamos em meio a uma avalanche, e ela esta me puxando montanha a baixo, sem pausa, eu o vejo, você esta tão longe agora, avançando rapidamente rumo ao abismo, e isso me doí. Será que você pode sentir o vento frio, será que sente os obstáculos que pus no seu caminho para tentar evitar a queda, mesmo que sinta, você não consegue deixar de continuar e continuar, mesmo que possa se segurar em algo, continuará a desprender as pedras, me incitando a fazer o mesmo.
Esta tão gelado agora, estou sentindo além da proteção, o vento esta por congelar meu corpo, embora o que cause continue a aquecer minha alma, não despencarei como você, me recuso a continuar caindo. Eu tentei bravamente avisa-lo, mesmo que não quisesse ouvir, mesmo em sua recusa em acreditar.
18 de março de 2014
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