Já havia passado da hora, o que parecia não fazer diferença para ele, mesmo que devesse. Ele convidou para sentar em um lugar isolado. Ela como havia feito varias vezes cedeu, indiferente as circunstâncias, ouviu o que ele queria dizer, e falou o que se passava dentro dela. Não era um bom momento para conversar, estava tarde, e ela definitivamente não estava no clima para discutir o relacionamento. Ele pediu que ela lhe desse as mãos, e as segurando continuou a falar, ele beijou seus lábios, e em determinado momento, o qual ela não saberia dizer com precisão, ele lhe fez uma pergunta, pergunta essa que já tinha ouvido dele antes, mas sua resposta continuava a mesma, um não, categórico e lotado de energia, ele balançou a cabeça em sinal de que concordava com ela. Ela esperou um momento, até se desfazer o redemoinho de indignação que ameaçava surgir dentro dela, para rebater a pergunta, quando o fez, olhando em seus olhos sem desviar, da forma como ele tinha feito com ela. Ela não esperava pela resposta que recebeu, na sua mente ela já tinha a resposta dele decorada, aceita. Olhando diretamente para ela, no entanto, ele pareceu se esquecer do que deveria dizer, e disse o contrário dela, com apenas uma palavra. Ela continuou fita-lo, esperando que ele dissesse algo a mais, uma recusa, uma brincadeira, uma justificativa ou explicação, porém ele permaneceu em silêncio, a olhando nos olhos, e isso a feriu. Quando decidiu questionar, foi que ele então resolveu desmentir o que tinha dito, no mesmo tom, com as mesmas palavras que já havia dito a ela em outra ocasião. Dentro da mente dela, nada do que ele disse depois condizia com os segundos que ele se manteve em silêncio. Uma fúria tremenda havia tomado seu corpo, e a vontade de revidar em seu rosto foi intensa, mas ela se controlou, se levantou e partiu.
Menos de uma hora, mais tarde ainda do que deveria, ele voltou a procurar por ela. Mais uma vez a fez se sentar de frente a ele, e pediu desculpas por ter sido grosseiro, mas na cabeça dela ele não havia sido grosso, havia lhe feito uma revelação imperdoável. Ela prosseguiu dizendo não acreditar em suas palavras, mas ele continuou a falar, o que para ela pareciam apenas mais mentiras, e em um ato de total descrença nele, ela lhe transferiu um golpe, o golpe que não conseguia continuar a receber dada tamanha descrença no que ouvia, e assim ele se foi, quem sabe decidido a não voltar. Nela houve aliviou e sensação de justiça, e quem poderia julga-la afinal?
14 de janeiro de 2015
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