13 de março de 2015

   

              Nunca me senti no direito de escrever sobre isso. Em algum momento, perdido em um passado distante, eu toquei em sua mão, tentei fazer parecer acaso, depois fingi esquecer de mover minha mão. Movi alguns dos meus dedos sobre a sua mão, para que soubesse que eu estava ali na penumbra ao seu lado. Hesitante você retribuiu o toque, logo eu pude sentir sua pele, era áspera, nossas mãos entrelaçadas discretamente, enquanto fingíamos que ninguém pudia nos ver. Imagino que tenha sido confuso pra você. Mantive a aproximação, não queria que tivesse dúvidas.
              Não lembro como aconteceu, mas lembro onde aconteceu, nosso primeiro beijo. Era noite, estávamos sentados na grama, como aconteceu comigo, provavelmente a conversa era um pretexto mal formulado, na tentativa de esconder um nervosismo crescente, afinal eu o tinha desviado do seu caminho, e não queria que partisse sem que entendesse o motivo. Tinha certeza que me amava, pela forma como olhava pra mim, eu conseguia sentir. Devo confessar que tive duvidas, quando me magoou, algo estremeceu, porque eu já sabia, que também te amava. Aconteceu em uma noite estrelada, depois de passarmos um longo período de tempo olhando para o horizonte, no meio do caminho, logo depois de ter corrido em sua direção pela terceira ou quarta vez, para me despedir, na verdade, foi quando eu finalmente decidi ir embora, antes mesmo de atravessar a avenida, eu me dei conta. Eu nunca disse a você que o amava, nem permiti que me dissesse, eram apenas palavras.
             Eu não deveria ter sido tão dura comigo mesma, não deveria ter me punido durante tantos anos, pelo que causei a você. Me tornei uma pessoa melhor, embora a probabilidade de que o mesmo tenha acontecido a você, não seja alta, lamento por isso.

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