7 de julho de 2015



   Na tentativa de relaxar, uma taça de vinho, ouvindo uma boa música, enrolada em um roupão quentinho. Julgando possuir tudo que precisa. Mas mesmo assim ela parou para pensar, pensar no que se pensa nas frações de segundos que antecedem uma surpresa. Então existe alguém ali, apenas vivendo o que se vive, pensando sobre as coisas rotineiras, que deveria pensar, e algo acontece de diferente, e então, surpresa. E você sabe pela quantidade de surpresar que já teve na vida, daquele mecanismo que é acionado no momento em que se surpreende, sabe dos instantes que leva até que seja possível assimilar, do titubear que se sente no peito.
   E como seria se ver de fora? De fora pra dentro. E se você fosse a surpresa, ai então você poderia observar a reação. Acho que é o que esperamos ao dar um presente a alguém, constatar a reação imprevisível que aquilo vai causar, a confusão mental momentânea proveniente do impacto, e muitas vezes isso por si só é tão satisfatório, mesmo que nem sempre o presente, seja um bom presente.
   Ai você esta vivendo, e recebe um presente triste, um que não se pode se desfazer, uma doença cronica, que mesmo tentando viver com ela, por vezes se é tentado a simplesmente deixar-se secar, definhar até o fim, queimando de dentro pra fora, enquanto se observa de fora pra dentro.

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