30 de outubro de 2015



Não me olhe assim, pare de falar com seu olhar. Não me cubra de imaginação, não enalteça meu ego.
Meu grande amor, seu jeito de falar, de se esquivar, de tomar uma atitude. Quando sorri, quando se entristece. Tantas decisões, tão impensadas. Não precisei que ninguém me dissesse para saber. As vezes é como se soubesse exatamente o que doí. Durante muito tempo, fingindo não saber.
Antes de dizer, eu sabia. Dentro de toda ausência, esperava pelo que disse, sabendo que diria. Mesmo relutante, não vejo escolha, não é nem mesmo como se a tivesse. Não consigo justificar o modo como nos comunicamos. Você olha diretamente pra mim, e não há o que perdoar. Ambos sabemos, exatamente onde tivemos coragem de chegar. Não requer explicações. O pior dos carrascos, mas não é o que vê, quando me olha.

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