Não me olhe assim, pare de falar com seu olhar. Não me cubra de imaginação, não enalteça meu ego.
Meu grande amor, seu jeito de falar, de se esquivar, de tomar uma
atitude. Quando sorri, quando se entristece. Tantas decisões, tão
impensadas. Não precisei que ninguém me dissesse para saber. As vezes é como se soubesse exatamente o que doí. Durante muito tempo, fingindo não
saber.
Antes de dizer, eu sabia. Dentro de toda ausência, esperava pelo que
disse, sabendo que diria. Mesmo relutante, não vejo escolha, não é nem
mesmo como se a tivesse. Não consigo justificar o modo como nos
comunicamos. Você olha diretamente pra mim, e não há o que
perdoar. Ambos sabemos, exatamente onde tivemos coragem de chegar.
Não requer explicações. O pior dos carrascos, mas não é o que
vê, quando me olha.
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