15 de dezembro de 2015




  Sou finalmente capaz de sentir o gosto do veneno que escorre pela minha garganta, lentamente, embora ele não seja capaz de concretizar meu fim. De certo que sentirei essa falta pelo resto dos meus dias, mesmo que não diga, mesmo que nem chegue a pensar sobre.
   Sou pagã, herege, minha alma é viciada, meu passatempo é sórdido. Crescer é uma arte característica de pessoas desprovidas de imaginação e sem senso de prazer. E não consigo que algum dia da minha vida eu vá deixar de pensar o quão deprimente é a forma como as coisas são impostas, quer dizer se não fosse a obrigação, a pressão, o estresse, o medo, o sofrimento, se não fosse humano…
Sem aviso prévio, sem despedida. Depois de tantos anos, faz parte do meu estado de ânimo e se foi, simplesmente.

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