18 de janeiro de 2017



Eu tinha má intenção,
mas quando disse que gostava de me observar, fiquei sem saber o que dizer.
Depois quando todos sumiram, tentei não fugir.
Você me chamou, mas fingi não ouvir.
Então eu permaneci lá, como se não tivesse dito nada.
Prefiro pecar com um talvez, do que com uma certeza.
Você quase fez com que me arrependesse,
mas devo dizer que assim que pisei pra fora, senti o vento soprar a meu favor,
e apreciei cada passo.
Eu o peguei pela mão e o levei,
como se soubesse exatamente o que fazer.
Enquanto você falava eu pensava no que fazer em seguida,
é, demorei para cruzar o pequeno espaço que ainda restava entre nós.
E posso dizer que cada diferença entre nós foi perceptível logo de início.
Continuei a te conduzir sutilmente,
então não posso fingir não gostar do seu modo furtivo de me ver agir.
E estávamos de acordo, quer dizer,
o modo como nossos corpos convergiam,
determinava o ritmo.
Por algum motivo a noite se resumiu
no modo como direcionava meu quadril,
assim pelo modo como correspondia a cada movimento meu.
Senti meu corpo ceder ao seu sorriso,
depois estremecer só com o toque dos nossos lábios,
e toda comunicação acabou por se resumir
no seu modo de me olhar até você ser levado novamente a mim, repetidamente,
levando de mim qualquer possível decisão sensata.
E quando tudo estava em silêncio olhou dentro dos meus olhos
fazendo meu estômago revirar.
Deixe-me prová-lo apenas com meu desejo, permitindo assim
que eu me sinta eu mesma novamente antes mesmo que vá.
Quer dizer, o primeiro, nunca o último.


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