Em
algum momento, todas aquelas palavras formando frases, me alcançaram,
penetraram na minha máscara de satisfação e felicidade e atingiram
tudo que eu pensei ter escondido e superado. Então como eu não
esperava por nada daquilo, eu apenas permaneci onde estava, sem
conseguir decidir se partia ou ficava, qualquer uma das escolhas
parecia me dilacerar por dentro. E durante muitos minutos eu não
pude deixar de ignorar o que estava ao meu redor. Mas do que deixar
de lado, levei a sério cada parte, e destruí toda boa intenção
que poderia existir. Cada verso que eu amava, dito contra mim, me
apunhalando por meio de uma voz que já não tinha nenhum bom motivo
para comigo. Quando acabou, eu continuei lá, e por algumas vezes ri
de alívio, e naquele momento eu quis que houvesse algo que fosse
capaz de curar a ferida que acabará de se abrir, eu precisava tanto
de algo que apenas me impedisse de entrar em colapso comigo mesma,
como todas as questões mal resolvidas que tinha passado tanto tempo
empurrando para algum lugar no fundo da minha mente. Como eu não
sabia o que fazer, esperei que a causa fosse também a salvação.
Então esperei, esperei ser confortada com um olhar, mas a verdade é
que eu não tenho certeza se eu o vi, se olhei em seus olhos, ou se
ignorei por completo. E quando eu fiquei sozinha, e o vi vir na minha
direção, não acho que o tenha realmente visto, apenas olhado para
o lado. Eu fiquei péssima, mas eu não consegui explicar o que
estava acontecendo. E quando decidi partir, no final eu pensei em
voltar, e mais uma vez, me senti mal como qualquer escolha que eu
tinha.
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