11 de agosto de 2020

 



Nesse momento ela está lá, encolhida no canto do quarto chorando de medo,

medo da miséria humana, medo de tudo aquilo que escapa entre seus dedos,

conforme ela fecha mão. Ela sussurra uma prece, esperando que o silêncio a escute,

e que o vento leve sua mensagem.

Mesmo que agradeça todos os dias por estar se esquecendo, nada será capaz de retirar

as cicatrizes em sua alma. Então mesmo nos dias em que revive cada fraqueza que

existe dentro de si, ainda sim ela é grata, não pela tristeza que a habita, mas por ter

entendido a saída. E era o que ela gostaria de ensinar. É o que hoje a faz se retorcer de

dor, a impotência, o medo. É a miséria que habita em cada uma das almas pelas quais ela luta.



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