4 de junho de 2010



No dia em que ela morreu, teve uma manha de sol, um vento frio, uma noite chuvosa e gelada. Ela havia passado madrugada lendo um romance, quando se deu conta que seria o último dia lamentou por passá-lo daquela forma. Eram 7:23 quando pegou sua maquina fotográfica e saiu de casa, caminhou até o lugar em que costumava ir para se sentir em paz, depois de subir as escadas se deu conta de como o dia parecia calmo e ensolarado. Suas fotos ficaram borradas e a batéria havia acabado quando decidiu voltar.Tudo parecia normal, ao entrar em seu quarto se desfez dos ténis e se jogou em sua cama, pensando em mais uma noite em que não conseguia dormir. Aquele dia seria triste e solitário e ela sabia disto. Era rotineiro o modo como conversava com sua família, o fato deles não notarem a manteve sob controle. Daria o melhor dela a eles e não se despediria.
Preparou o almoço cantando alto e rindo de seus erros, a cerveja que já havia tomado parecia ter a erguido do chão, fazendo ela dançar por toda parte leve e sorridente.
Havia um motivo para ela não se desesperar, para secar suas lágrimas. Ele havia prometido chegar a tempo, mas olhando para o relógio ela ficava confusa tentando saber quando tempo ainda lhe restava, o que não ajudava, ela precisava se despedir, era seu adeus, a aceitação, o motivo.
Sentada na calçada bebia sua cerveja em goles maiores, quando lágrimas ameaçaram correr de seus olhos, tragou o cigarro aliviando a dor. Ela sentia agora a sua vida fenecer.
Quando despertou, a escuridão já tomara seu quarto, no momento em que os pensamentos a invadiram, seu coração estremeceu, segurou com força o travesseiro contra sí e se recusou a sofrer. Se forçou a continuar. Vestiu a roupa que escolheu horas atrás, pegou sua bolsa e saiu como se estivesse atrasada. Só parou quando estava em frente a escada, então sentada lá no alto refletiu sobre a vida que levou, seus erros, sua felicidade, chegando a conclusão de que era inevitável sofrer pela decepção, levando seus pensamentos a pessoa que ela esperava, lembrou dele tê-la abraçado, murmurando algo que ela não pode compreender de imediato, mas que ficaria em seu coração até a última batida. Um sentimento inebriante a tomou quando pensou na primeira vez em que ele a tocará, tinha uma expressão seria, olhos refletiam a luz que era emanada da lamparina atrás dela, o que a fez notar as pupilas dele se dilatarem, chegando mais próximo a ela, seus dedos encostaram em seu rosto até quase emoldurá-lo, manteve seus olhos fixos nos dela quando seus lábios se tocaram, o que a fez sentir seu coração pular contra o peito.
 Ainda não acreditava que pudesses ter se sentido daquele jeito. Quando num impulso virou para trás pode sentir seu coração parar, ele a fitava. Se aproximando, ficou visível para ela a confusão e o tormento em seus olhos, estava sem fôlego quando a braçou, fazendo com que ela ouvisse sua respiração descompassada. Chorando pelo inevitável fim, ele tentou dizer a ela o quanto estava sendo doloroso, detendo as palavras ao notar sua expressão vendo passar uma sombra em seus olhos, compreendeu o quanto a deixara desolada. Naquele instante caíram gotas de chuva sobre eles, o que a fez olhar para cima, o céu estava encoberto de nuvens avermelhadas sentindo de imediato um vázio que lhe tomava a alma, notando um vulto que a encarava no alto, pensou ser a morte vestida com um capuz, toda de preto, o pensamento a fez sorrir, levando a crer que seu tempo tinha chegando ao inexorável fim. Segurou a mão do garoto, sentindo seu corpo ceder.

2 comentários:

Thiago Furlan disse...

Tenho uma teoria de que a moça morreu de velha! Achei muito bom, Vitória! com esse ja são 2 dons! hahahaha!

K. Flowers disse...

Os melhores textos não são aqueles apenas lidos, mas sentidos. Parabéns, Vi!