O céu possuía um tonalidades azuis, em gradiente, quando acordei, pude senti-la se mexer meu lado, estendi meu braço em cima de seu travesseiro e fiquei a observando dormir, enquanto passava minha mão em seu cabelo. Quando decidi levantar, fui para cozinha prepara nosso café da manhã, rezando para que algo ali lhe interessasse, a ponto de fazê-la comer. Antes de sair, passei pelo quarto e a olhei adormecida, me aproximei e cuidadosamente beijei sua testa.
Caminhei até a faculdade, reparando nas cor acinzentada que tinha o céu, satisfeito ao pensar nos comentários que Fiby teria feito. Depois das aulas de álgebra linear e calculo, mal almocei, passei a tarde afundado em pesquisas e revisões, quando terminei já passava das sete. Ao chegar em casa, Fiby me esperava sentada no sofá com um copo, do que pude presumir ser vinho, me ofereceu mas recusei, seu olhos estavam fundos e inchados com se tivesse chorado, ela me olho mais uma vez de relance. E disse quase sem querer: -Nós precisamos conversar!
Seu rosto estava lívido e suas mãos tremiam. Eu me mantive calmo até ela terminar, depois ao recordar a conversa eu só me lembraria dela ter dito que estava indo embora. Não consegui mostrar raiva ou surpresa, me concentrava em manter minha respiração, ignorando o meu estômago, que depois de embrulhar parecia ter congelado. Passei a noite acordado ao seu lado, pensando no faria quando as aulas dela começassem e ela fosse embora. Recordava nossa conversas em que ela falava ávida do curso e de toda a experiência que teria. Peguei no sono quando o dia estava quase claro, e não fui para aula.
Eram nove e quarenta quando me arrastei para a sala, e a encontrei lendo, fui até ela e estendi minha mão ajudando ela a se levantar, a puxei para mim a abraçando, ainda estava exausto pela conversa da noite passada e pela noite que não dormira. Quando ela foi embora, liguei o som e deitei no sofá, o mundo parecia girar rápido me fazendo ficar tonto, senti as primeiras lágrimas surgirem, tentando me convencer em deixá-la partir. Esse era o plano, não sabia bem se era o plano dela ou o nosso, mais sempre soube que o dia chegaria e eu a veria ir.
Se passara um semana, e a cada beijo que eu lhe dava parecia mais intenso, como se eu tentasse me preparar para viver ser eles, sem ela. A tristeza me tomara profundamente, e meus dias passavam a ser mais exauridos. Não podia pedir para ela ficar, e ir com ela se tornara algo fora de cogitação, não conseguiria transferir meu curso em menos de um ano.
Começava a perceber as mudanças no comportamento dela, que não sorria mais tanto, suas crises pioravam eu não conseguia mais a acalmar como antes.
Era como lutar contra o tempo, que acabaria nos separando. Na madrugada que antecederá sua ida, a passamos bebendo e conversando na sacada do meu apartamento, Fiby foi para casa terminar de arrumar suas coisas, me deixando mais uma vez sozinho, perdido em suas marcas que estavam por toda parte, em todas lembranças que ficariam. As lágrimas foram quase imperceptíveis com a dor em meu peito que quase me sufocava. Quase que totalmente entregue aqueles sentimentos, me pus de pé tentando manter o controle. Meia hora depois eu fui busca-la, para a levar ao aeroporto. Mal se podia notar seu cansaço, estava linda como sempre, no caminho não trocamos uma só palavra, e ao chegarmos tudo que consegui fazer foi segurar sua mão enquanto andávamos. Não conseguíamos dizer mais nada que mudasse o que estava para acontecer, e quando chegou o momento, só pude ver tristeza em seu olhar, o adeus. Não houve promessas nem beijo, apenas um abraço apertado, como se esperássemos que aquilo dissesse tudo para o que não tínhamos palavras, e ela se foi, a observar caminhar, naquele instante quase não ouvia ou via nada além dela, era cruel a maneira como a vida estava nos separando, e percebi que continuaria a amá-la mesmo com o passar do tempo, a saudade e a dor apenas amenizaria, pois o que eu sentia era até mesmo maior do que eu. Tudo aconteceu rápido, como se aquele pensamento bastasse, corri até ela depois de chamá-la a abraçei. Me dando conta do erro que quase cometi.
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