29 de junho de 2011


Dia nublado. Não estou entendo as palavras se perderam, em algum lugar dentro de mim, se escondendo das minhas críticas. Estou absorvendo as magoas, por onde ando, mas transpareço calma, as pessoas me tocam cuidadosamente, mas ainda sim doí. A garoa cai, o vento gela, deflagro uma cápsula, em um copo com água, sorvo seu conteúdo amargo, 60 miligramas, foi tudo que eu encontrei ao cair, é tudo que espero quando não há mais o que esperar. O frio corta, as lágrimas secam, não consigo me comover por ser tão jovem e carregar um fardo tão infortúnio, quanto minha existência. Mas estou pensando no futuro, estou sentindo o passado, a essa hora da tarde só o que não quero sentir é desespero, tento acionar minha válvula de escape, mas a chuva lá fora impede minha concentração, interferem nas frequências que estou tentando captar. Meu organismo absorve arroubo, as drogas que me mantém viva combatendo as dores ocultas de uma guerra sem fim. O dia se perde indiferente, ao longo dos minutos minha mente divaga exausta, estou confusa com o que tentam encontrar em mim.  Os problemas estão do lado de fora da minha mente, eu filtro cada empecilho fazendo o que posso para compreender o que está acontecendo, mas nem mesmo sei o que sinto nem como lhe dar com esse vazio que abrange tudo e todos ao meu redor. Não sei se me importo com todas aquelas pessoas que poderiam fazer alguma diferença, semeiam o que colho, e os cortes que me infligi se abrem ao cair da noite, novamente padeço em meio a agonia, vagando entre seres sem alma, meus ombros parecem estar carregando a dor do mundo, exausta, descrente, porém em pé.

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