23 de novembro de 2011


De fronte ao meu orgulho, ele esgota-me o bom senso, ao praticar a arte da escrita enceno meus dons como se viessem leves e sóbrios, excessivamente metafórico, incongruente e contraditório. Verte do meu ser arte surreal, me utilizo da imaginação, brinco com os detalhes, propositalmente subjetiva e ambígua.
Minhas mãos, ferramentas que me permitem extravasar minhas emoções, escrevo com elas, leio com os sentimentos, as podo, defino, modelo, crio da dor algo belo. És do que sou feita, da constante exposição ao meu lado sensível, dramático, fraco.
No fim é o que restará sobre mim, temidas palavras esquecidas, deformadas,entregues a bel percepção humana de meus semelhantes. Por que me conformar mantendo-me protegida de maiores alardes, maiores conquistas? Era em que pensava ao jogar-me rumo ao incerto, esperando sentir algo finalmente real, acreditando que perderia a sensibilidade que me afronta tão displicente.
Estou me derrotando, me sacrificando ao aguentar firme, transcendendo todos os limites que um dia conheci em mim. Erros definham, mortaz e certeiros, fazendo da rendição uma longa e torturosa espera, paciente enquanto me dilacera a alma, minha alma de artista, o veneno do meu ser difuso.
Criar com grafite, com luz, com dor, entregar-se, sofrer cada derrota, ser pessimista, sonhadora a cada vitória, posso ver o que me faz sonhar, o que me encaminha para o fundo de mim mesma, o que esta intrínseco e a superfície se mesclam. Permitindo a existência da artista nata que há em mim, vivendo no limite das emoções do sofrimento da fantasia.
E não me diga o que será de mim, aceitar minha fraqueza doí mais a cada instante, cada vez que inspiro, estou inalando sonhos, e exalando decepções, as que já não cabem dentro de mim. E será triste, penoso e frustrante até o último segundo de minha vida.
Você nasce quem se tornará um dia. Minhas ambições foram amputas, mas ainda as sinto como se fossem se realizar, cada expectativa escapando das minhas mãos, das palmas criativas e eternamente tristes de minhas mãos. Pois cada membro sente isoladamente o poder da limitação, e não dirás que és uma dádiva, estou perdendo minha lógica para meu sombrio lado poético.

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