24 de abril de 2012



As vezes esqueço de respirar,
também acontece de me calar.
Não que eu esteja ouvindo ao redor,
não estou,
acontece,
me perco
dentro de mim,
ouvindo
o que sinto,
dando voz
a minhas emoções.
Senti algo faltando,
ausência, do não sei o que é, quem é, quando perdi, mas senti.
Nesse momento voei para longe, mas não bastava.

Tudo parecia tão pequeno, aquelas pessoas, pouco importavam, isso porque o desejo em mim era tão intenso, completo, sublime. Todos aqueles, que admiro, por quem luto, que me abrigam, aqueles que enfeitam meus dias, colorem meus sonhos, eles perderam o brilho, o sentido, a importância. Os que me instigam, desafiam, impulsionam e me atormentam, também, deixaram de existir, de significar algo para mim. Foi apenas um momento, um instante de distração, e sinto como se não fosse o mesmo, está em um lugar diferente, tem um gosto novo, desconhecido.
Inspiro e um arrepio percorre meu corpo,
estremece minha alma,
já não amo, não mantenho, não busco, não cativo.
Estou olhando para o reflexo no espelho sem compreende a imagem, sem associar a desconhecida a me fitar, de contornos tão delicados, inexpressiva, tão fora do contexto, a personalidade não concilia, é desarmônico, uma profanação.
Chego a lamentar pela garotinha que fora um dia, sorridente, sonhadora, inocente, ela agoniza, chora amargor, exprime fúria, inconformada sentindo tudo com que se importava virar pó, desintegrar diante de si.
O que substitui continua a ser, tristeza, e mais tristeza
ódio e decepção, desilusão e injustiça. Tudo que olha é gélido, o que toca quebra,
ela busca desesperadamente algo que a traga de volta, mas é tarde, ela esta se perdendo,
continuo a abafar seus gritos, a aprisionar seus sonhos, matar sua esperança.

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