31 de agosto de 2015



Mesmo não querendo, ela se tornará a atração principal, ela sabe disso.
Acontece quando as coisas fluem.
Em algum momento ela ira notar que está sendo cuidadosamente
observada, depois desprezará qualquer atitude tendenciosa, alheia a tal pretensão.
Ansiando que o fato passe despercebido.
Ah, se ela pudesse escolher, teria tantos amigos quanto fosse possível.
No fim, ela vai jurar não perceber, mas a verdade é que só não se importa.

Veja que triste, seu único entretenimento. 
Felicidade forjada, atrativos sinceros.
Se tornou tudo tão pouco, quase sempre insatisfatório.
Para ela, é apenas um show, sem plateia, uma apresentação despretensiosa,
uma distração irrisória, a encenação da arte de ser ela mesma.
Os aplausos servem apenas para lembrá-la que vive,
e esse viver é o que a machuca.

No fundo de cada olhar admirado, ela encara o vazio,
que há por trás de toda grande infeliz interpretação,
como um reflexo dela mesma.
Forte ou doce, subjugada ou não.
A grande lição da sua vida, repassada todos os dias.
A peso e a leveza, até mesmo, de um olhar.
As janelas da alma, o único lugar onde se é possível
saber o que se passa dentro de alguém.
Aqueles que a leem com um misero olhar, são tudo que ela teme.
A prova de que todo verdadeiro artista, tem um ponto fraco.

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