Quem sabe ainda dê tempo. Tempo de voltar atrás no que você nem sente realmente. E que isso te possibilite reconhecer com honestidade o que realmente quer. Eu ainda quero você, mas existe uma linha que te afasta de mim pra sempre, é o paradigma que me oferece ao menos a chance. Entenda, tudo que sou são meus preceitos, o que significa que lutar por você vai contra a quem sou. Mesmo sem querer você foi capaz de sentir a presença, estabeleceu uma frequência, a única vantagem eu diria ser, a flexibilidade no canal de transmissão.
Quem sabe você
ainda possa chegar em casa do trabalho sem ter que lamentar pelo dia
não ser como o de ontem. Se permitir quem sabe, comemorar tudo que o
hoje trouxe com ele. Afinal você pode ser como eles pensam que você
é ou pode ser você mesmo. Você pode perder um bom tempo pensando
em como salvá-lo, ou apenas perceber que não pode fazer pelos
outros aquilo que faz por si todos os dias. Tente, se não for o
bastante, apenas esqueça. Quando estamos dispostos a resgatar alguém
oferecemos mais que o necessário. Não permita que te afastem do seu
propósito, faça o que tem que ser feito. Eu cheguei a pensar no que
foi dito, a me preocupar com o que poderia querer dizer com o que
disse. E realmente senti cada palavra e todos seus sentidos
possíveis, e continua a ser eu, pensando nos outros e no que isso
reflete em quem eu sou, sem isso, não conseguiria me reconhecer.
O engraçado é
pensar na questão inicial, e como meu egocentrismo mecanicamente
abre espaço para a empatia. Embora eu ainda esteja me perguntando o
que fazer com todas observações em relação a ele. Tem sido
realmente difícil abandonar tudo isso em algum lugar em que nunca
mais possa voltar. Quem sabe, se você ao menos tivesse se dado
conta, teria a possibilidade de se tornar aquilo tudo que calculei
que precisaria. Mas estou contando com tudo que sempre contei, que a
vida siga rumos familiares e inesperados, na probabilidade de sempre,
e que eu nunca mais o veja, nem de longe, nem sem querer, quer dizer,
não espero passar novamente pela aflição de olhar bem no fundo dos
seus olhos apenas para constatar que não vê o mesmo que eu.
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