26 de setembro de 2016


     Quem sabe ainda dê tempo. Tempo de voltar atrás no que você nem sente realmente. E que isso te possibilite reconhecer com honestidade o que realmente quer. Eu ainda quero você, mas existe uma linha que te afasta de mim pra sempre, é o paradigma que me oferece ao menos a chance. Entenda, tudo que sou são meus preceitos, o que significa que lutar por você vai contra a quem sou. Mesmo sem querer você foi capaz de sentir a presença, estabeleceu uma frequência, a única vantagem eu diria ser, a flexibilidade no canal de transmissão.
    Quem sabe você ainda possa chegar em casa do trabalho sem ter que lamentar pelo dia não ser como o de ontem. Se permitir quem sabe, comemorar tudo que o hoje trouxe com ele. Afinal você pode ser como eles pensam que você é ou pode ser você mesmo. Você pode perder um bom tempo pensando em como salvá-lo, ou apenas perceber que não pode fazer pelos outros aquilo que faz por si todos os dias. Tente, se não for o bastante, apenas esqueça. Quando estamos dispostos a resgatar alguém oferecemos mais que o necessário. Não permita que te afastem do seu propósito, faça o que tem que ser feito. Eu cheguei a pensar no que foi dito, a me preocupar com o que poderia querer dizer com o que disse. E realmente senti cada palavra e todos seus sentidos possíveis, e continua a ser eu, pensando nos outros e no que isso reflete em quem eu sou, sem isso, não conseguiria me reconhecer.
    O engraçado é pensar na questão inicial, e como meu egocentrismo mecanicamente abre espaço para a empatia. Embora eu ainda esteja me perguntando o que fazer com todas observações em relação a ele. Tem sido realmente difícil abandonar tudo isso em algum lugar em que nunca mais possa voltar. Quem sabe, se você ao menos tivesse se dado conta, teria a possibilidade de se tornar aquilo tudo que calculei que precisaria. Mas estou contando com tudo que sempre contei, que a vida siga rumos familiares e inesperados, na probabilidade de sempre, e que eu nunca mais o veja, nem de longe, nem sem querer, quer dizer, não espero passar novamente pela aflição de olhar bem no fundo dos seus olhos apenas para constatar que não vê o mesmo que eu.  

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