19 de setembro de 2016


     Tem sido estranho, de um jeito maduro e confuso de lhe dar. Não se de ao trabalho de chamar minha atenção, estou ouvindo, só não estou sabendo lhe dar com isso. Eu poderia até começar me desculpando por assustá-lo, passando pelo ponto em que começo a realmente fingir não me importar, para no fim prometer a mim mesma, que vou mudar. Mas não é assim que funciona, você não pode ficar fazendo gracinha e continuar achando que vai ficar assim, não pode me encarar dessa forma e esperar que eu não perceba, não pode dizer o que bem entender e esperar q eu não me de conta.
     Eu tenho tentado, com plena convecção de que não tem sido o suficiente. Sei como isso vai terminar, mais que isso, sei o motivo e sei o culpado, então vislumbre o criminoso. Alguém por favor me tire do sério, apenas para me questionar sobre o real motivo. Não me importo com aquele ponto de vista chato, que só sabe me dizer que estou errada, pois de acordo com ele, eu sou errada, vai ver esse seja o motivo desses dois pontos de vista constituírem pessoas diferentes. Cansei disso, de ficar do lado seguro, de não arriscar nada e perder tudo.
     Comece agora, vou te dar razão suficiente. Vou ir direto e flertar com o inimigo, cara a cara com o perigo. E caso eu esteja errada, desvie. Nunca tive a intenção de ser quem você pensa que devo ser, deve ser esse o motivo de lutar tanto para que esteja errada. Tenho andado confusa, sei bem como isso soa, tenho agido de acordo, feito o que é preciso, mas dentro de mim só existem incertezas, não posso lhe dar com dúvidas, hesitação, irresolução, imprecisão ou insegurança, não sei lhe dar com a dubiedade, talvez seja por isso que a dualidade me caia tão bem. Não sei lhe dar comigo mesma, lotada dessas questões que me definem. Invejo ordem e disciplina, lutando diariamente com bagunça que me habita, rejeitando aquilo que aprecio, por puro medo de uma definição de normalidade que nunca se quer experimentei. A verdade é que eu nunca mudei, por puro medo de me sentir bem.
     Por favor, não me faça falar sobre como isso me parece, apesar de tudo, continuo a embalar a descrença, ela me é tão confortável quanto qualquer coisa que tenha a me oferecer em troca. Esse é o real motivo de continuar aqui. Garoto, você instiga tudo que há em mim, só que não é você, sou apenas eu ajeitando um motivo diferente. Será que consegue sentir a sintonia entre o que sinto e o que quero sentir? Isso tem me feito agir como tola. Tenho incitado situações, que embora tragam uma gama de interpretações, refletem apenas um aspecto meu. No fim, sou eu, não faz sentido continuar a ignorar.

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