Tem sido estranho,
de um jeito maduro e confuso de lhe dar. Não se de ao trabalho de
chamar minha atenção, estou ouvindo, só não estou sabendo lhe dar
com isso. Eu poderia até começar me desculpando por assustá-lo,
passando pelo ponto em que começo a realmente fingir não me
importar, para no fim prometer a mim mesma, que vou mudar. Mas não é
assim que funciona, você não pode ficar fazendo gracinha e
continuar achando que vai ficar assim, não pode me encarar dessa
forma e esperar que eu não perceba, não pode dizer o que bem
entender e esperar q eu não me de conta.
Eu tenho tentado,
com plena convecção de que não tem sido o suficiente. Sei como
isso vai terminar, mais que isso, sei o motivo e sei o culpado, então
vislumbre o criminoso. Alguém por favor me tire do sério, apenas
para me questionar sobre o real motivo. Não me importo com aquele
ponto de vista chato, que só sabe me dizer que estou errada, pois de
acordo com ele, eu sou errada, vai ver esse seja o motivo desses dois
pontos de vista constituírem pessoas diferentes. Cansei disso, de
ficar do lado seguro, de não arriscar nada e perder tudo.
Comece agora, vou
te dar razão suficiente. Vou ir direto e flertar com o inimigo, cara
a cara com o perigo. E caso eu esteja errada, desvie. Nunca tive a
intenção de ser quem você pensa que devo ser, deve ser esse o
motivo de lutar tanto para que esteja errada. Tenho andado confusa,
sei bem como isso soa, tenho agido de acordo, feito o que é preciso,
mas dentro de mim só existem incertezas, não posso lhe dar com
dúvidas, hesitação, irresolução, imprecisão ou insegurança,
não sei lhe dar com a dubiedade, talvez seja por isso que a
dualidade me caia tão bem. Não sei lhe dar comigo mesma, lotada
dessas questões que me definem. Invejo ordem e disciplina, lutando
diariamente com bagunça que me habita, rejeitando aquilo que
aprecio, por puro medo de uma definição de normalidade que nunca se
quer experimentei. A verdade é que eu nunca mudei, por puro medo de
me sentir bem.
Por favor, não me
faça falar sobre como isso me parece, apesar de tudo, continuo a
embalar a descrença, ela me é tão confortável quanto qualquer
coisa que tenha a me oferecer em troca. Esse é o real motivo de
continuar aqui. Garoto, você instiga tudo que há em mim, só que
não é você, sou apenas eu ajeitando um motivo diferente. Será que
consegue sentir a sintonia entre o que sinto e o que quero sentir?
Isso tem me feito agir como tola. Tenho incitado situações, que
embora tragam uma gama de interpretações, refletem apenas um
aspecto meu. No fim, sou eu, não faz sentido continuar a ignorar.
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