13 de outubro de 2016


     Estávamos no fim, naquele final formal, em que tentamos descontrair sem jeito. Foi quando eu permiti que soubesse, não era para ter saído naquele tom, nem daquele jeito, nem era para ter acontecido, você fingiu não notar, embora tenha, e eu quis não estar lá. Vocês comemorariam o fim, e eu sairia na espreita, e eu tentei. Foi quando eu o vi de surpresa com um cigarro entre os dedos, e pensei em você enquanto tragava o meu. Eu aceitei estar lá, como aceitei a estranha coincidência.
      Próximos embora longe, era como estávamos, até o instante em que nos encontrávamos um diante do outro, dali em diante, houve uma profunda intimidade. Estávamos todos ali, embora no momento só existisse nos dois, me pareceu tão familiar o modo como se aproximou de mim, quanto nossos lábios se tocaram, me pareceu tão certo, quanto a delicadeza com que eles continuaram se tocando. Mesmo quando nos demos conta de onde estávamos, diante de todos, pareceu simples ignorar tudo em questão, apenas com um sorriso. Então você me envolveu de uma forma, que foi além dos seus braços em volta de mim. Como recém apaixonados incapazes de evitar contato, foi engraçado, porque foi além de tudo.  

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