Queria que me visse. Que naquelas vezes em que me olhou me examinando você tivesse me enxergado, que tivesse visto tudo aquilo que não conseguia entender, por não me ver por inteiro. Tudo porque sou mais, mais do que demonstrou, e foi tão pouco o que me deu, que mesmo que tenha me dito sobre seus beijos apaixonados, não foi o suficiente para que eu sentisse o furor de suas emoções.
O peso das palavras por mim não ditas e seu cansaço de se fazer entender por mim, foi o que realmente nos bastou para nos afastar. Eu penso se tivéssemos tido mais paciência um com o outro, será que haveria algo a ser dito que mudaria o que se sucedeu?
Me percebo tão amedrontada diante de você, capaz de ir em sua direção, mas nunca de confrontá-lo. Não pretendo negar que o motivo sou eu, mas queria que visse que é você também. Que me espreita ao longe, que tenta conversar. Mas se é o que temos, não nós restou ao fim nada, porque seus olhares são traiçoeiros, e me defendo do vazio que tende a me colocar, como quem pergunta por educação, sem interesse, pronto para deixar de se manifestar. Então eu vou até você, finjo não me importar depois volto com o coração partido. Nós realmente somos bons em parecer distantes, a única diferença é que não me sinto assim realmente, ao contrário de você.
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