1 de junho de 2019





    Não importa o que eu esteja fazendo, eu não consigo deixar de notar sua presença. Foi de um acordo pré firmado que o mesmo objetivo nós uniu e também nós conduziu. Algo que um dia foi natural, mas que já não é mais. Nesses momentos eu verdadeiramente queria que não soubesse, só para que eu não me sentisse tão mal em aceitar sua companhia. Mas são tantas coisas sobre você que no fim fazem eu me sentir aos prantos, que eu deveria parar de tentar quantificar. Eu não precisei chamá-lo pra saber que iria, do mesmo modo que não precisei fingir não saber o motivo de você preferir ficar.
    E quando as coisas se tornam estranhas de se entender, eu vou. Quando não sou capaz de entender, de ficar em paz, eu sumo. Eu sei que não entende, que não vê o que vejo. Como sei que pra você é demais, e tudo bem, eu jamais transformaria isso em um sim. Acho que nunca mais transformarei qualquer coisa sobre você em algo real. Eu te conheci o bastante pra vê-lo lago. E conhecendo o mar que vive em mim, sei da minha tormenta, da força, do som, das ondas.
   Quando você se cansou, eu pude ver, ver o mesmo que vi quando parti. As vezes acho que entendo, o esforço que é não desistir, permitir que flua, depois saber o que esperar e mesmo que isso doa, manter suas escolhas.

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