Ninguém está preparado para aquilo que não cogitou acontecer.
Te
ver mudou minha percepção do entorno,
algo
no ambiente se tornou pontualmente hostil,
me
fazendo desviar, mudar minha rota natural.
Não
sei quem foi o primeiro a notar,
mas
fui a primeira a fugir, isso porque se aproximou.
Não
vejo motivo para confrontar algo tão doloroso,
como
tudo que acontece invariavelmente entre nós,
mas
talvez a mágoa tenha mesmo uma atração natural.
Aquela
que o fez voltar sozinho e se sentar ao meu lado.
Eu
respirei fundo, mas você tinha um motivo e eu, bom eu tenho ego.
E
acho que doeu,
acho
que doeu a maneira calorosa e receptiva como te toquei,
doeu
o modo como falei com você.
Há
algum tempo você me abordou com discurso de paz,
camuflando
a mágoa,
que
se mostrava a cada rompante,
lotado
de frustração, a cada defesa minha.
Dói
em você me ver de pé,
dói
em você me imaginar forte,
me
ver sorrindo,
e dói
muito mais se sentir pequeno,
incapaz
de segurar a máscara de superação.
Mesmo
tento propositalmente me ferido tanto,
é em
você em quem realmente dói.
E não
tem mais nada que eu possa fazer.
Eu me
desculpei, permitindo todas suas agressões,
Toda a
fúria das consequências que ainda se desenrolaram.
Mas o
que seria a suficiente para acalmar tamanha fúria?
Para
acalentar uma alma tão dolorida?
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