Não
consigo olhar pra trás e não ver meus erros, assim como não consigo me lembrar
de uma só vez que tenha deixado de admiti-los, de me colocar no lugar oposto, depois
enxergar que poderia ter feito melhor. Eu não me doou igualmente, mas o faço
quando cativada, minha entrega me parece exponencial, o que já me custou muito.
Olhando para trás, me lembro do sofrimento que minhas próprias expectativas me
causavam, apenas partindo do principio de que eu não faria o mesmo. Antes de
conseguir adaptar o que esperava dos outros a realidade do que poderia de fato
ter. Mas a verdade é que mesmo depois de tanto tempo, depois de deixar de usar
minhas ações como parâmetro, ainda consegui resumir tudo que houve, e na
verdade esperar que as pessoas agissem como eu agiria não foi o real motivo por
tantas partidas.
Primeiro
eu não consegui lhe dar com o fato de como alguém com quem convivi diariamente
por anos, abruptamente se esqueceu que eu existia por semanas. Depois com o
fato de servir apenas e somente como apoio, com prazo pré-estabelecido. Depois
de ser esquecida e usada, me perguntei muitas vezes porque com os outros não era
assim, e descobri que era, e mesmo amadurecendo o bastante para me tornar mais
tolerante e resiliente, nunca deixei de acreditar na impossibilidade é que
esquecer quem se ama, ou resumir em covardia usar alguém. Ou seja, eu cresci,
mas a verdade nunca mudou.
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